Um apelo aos jovens e a todos os demais

Tenho 76 anos, continuando a ser tão politicamente ativo como durante o movimento estudantil de 1968, mas agora com experiências que tenho de partilhar, pois entretanto compreendi os motivos pelos quais quase todos os movimentos fracassaram.

Hoje, milhares de jovens saem às ruas pela proteção do clima e pela mudança de sistemas. O meu sincero agradecimento por isto! Apenas espero que este movimento ganhe suficiente força interior e perseverança para realmente poder conduzir a uma mudança de sistemas. Esta seria realmente uma reviravolta histórica; há séculos que existem pessoas a lutar contra a exploração, opressão e violência, e há séculos que estas perdem a luta face à superioridade do sistema existente. Contudo ninguém poderá parar esta luta, pois em toda a parte existem pessoas, principalmente jovens, que já não suportam a barbárie da sociedade existente. Lutam ao lado dos indígenas Dakota em “Standing Rock”, lutam em “Hambacher Forst” (floresta milenar na Alemanha), lutam na comunidade de paz de San José de Apartadó na Colômbia, lutam nos barcos de salvamento no mediterrâneo, lutam; em todos os continentes.

Hoje, aos milhares, saímos às ruas pela proteção do clima, outros demonstram pela proteção da natureza e dos animais, outros trabalham até à exaustam pelo apoio aos refugiados. E repetidamente, muitos perdem a sua força passado algum tempo. Desiludidos ou desencorajados, afastam-se, adoecem, ficam toxicodependentes, tornam-se criminosos. Eu próprio vivi e conduzi este tipo de luta durante quatro anos, na esquerda marxista Alemã (em 1968), até entender que precisaremos de uma outra solução. O mundo inteiro precisa de nova informação. Como gerar esta nova informação, e como a levar ao mundo? Esta tem sido, desde então, a questão e a tarefa.

Agradecemos-vos pelo vosso apelo coletivo, rumo a um futuro no qual valha a pena viver. Que a vossa rebelião global encontre a sua meta interior, uma meta referente a toda a humanidade. Utilizem a liberdade que têm, libertem-se da crença nas velhas ideologias, sejam elas de esquerda, de direita, ou religiosas. Libertem-se também da crença nos meios de comunicação de massas. Existe demasiada mentira nestes lugares. Os poucos que hoje têm a coragem de abandonar esta hipnose coletiva precisam de apoio solidário. Utilizem a vossa liberdade em representação de todos os que não têm esta liberdade e esta força, e que urgentemente precisam da vossa ajuda. Não utilizem a vossa raiva apenas contra o sistema e os seus representantes; utilizem-na para se libertarem, dentro de vocês, dos velhos padrões. Vocês não são o produto de uma sociedade, de uma tradição, de uma família; vocês são seres humanos. Libertem-se do peso do passado – de um passado histórico terrível.

Os velhos conceitos de revolução perderam a sua credibilidade. Nunca surgiu nada de bom através da violência. Temos agora de proteger, em conjunto, a vida que hoje é destruída em toda a parte em nome de entidades económicas e governamentais. Existe um socialismo que está para além de todos os partidos e ideologias: este é o socialismo da confiança, da coesão social e da entreajuda. Aquilo que actualmente transporta um poder de sobrevivência, são as qualidades da verdade e do amor que se atreve a tomar partido. São estas qualidades que nos conduzem ao conhecimento que todos nós precisamos para a cura. Trata-se de algo tão simples, elementar e verdadeiro – e, que se formos bem sucedidos, fará surgir um campo de confiança que produz também impacto nas áreas de crise.

Abaixo quero mencionar algumas coisas que poderiam transformar esta grande rebelião numa força concreta, que o sistema vigente já não poderá capturar.

Os protestos atuais por um futuro no qual valha a pena viver, pela proteção do clima e da natureza, pelos direitos humanos e animais, são símbolos de um despertar global em quase todos os continentes. No entanto, estes precisam de um objetivo comum, de forma a não serem derrotadas pelo sistema vigente. As suas aspirações podem apenas prevalecer se existir uma visão para a mudança de sistema que é necessária.

Mudança de sistema! O que significará isto actualmente, em tempos onde todos os anos se gastam tantos milhões de dólares para deliberadamente transmitir informações erradas sobre o tema do clima global; onde foi proibido salvar refugiados que se afogam no Mediterrâneo; onde a prosperidade de uma parte do mundo é gerada à custa da exploração e da crueldade noutras partes do mundo? Já para não falar do destino das crianças nas zonas de guerra, do destino dos animais nos matadouros, nos laboratórios de experimentação animal ou na produção de peles.

Para superar o sistema capitalista precisamos de uma visão positiva para uma forma de vida pós-capitalista. Precisamos de uma visão comum para nós, para os nossos filhos, para todos os que estão em fuga e não têm lar, uma visão para vítimas e agressores, uma visão para o amor, para o nosso relacionamento com os animais, com a natureza e com todo o mundo cósmico – o mundo no qual afinal todos nós originamos. Esta visão não é uma invenção humana, mas ela existe como realidade latente, inerente ao plano da vida.

O plano interior da vida: este consiste na realidade de um campo cósmico de cura, que é inerente a toda vida. Conhecemos este campo de cura, temos provas suficientes da sua existência. Qualquer doença é passível de ser curada, qualquer conflito pode ser resolvido, se o campo de frequência da humanidade se ligar com a frequência deste campo cósmico. Tudo aquilo denominado de “cura milagrosa” surgiram através desta ligação. Neste campo de cura, há conceitos que deixam de existir, tais como a exploração, a hostilidade e a guerra. Onde as pessoas se encontram nesta nova forma de vida, os inimigos tornam-se amigos. E é disto que se trata: de estabelecer realmente esta forma de vida na Terra, caracterizada pela confiança, amor, cooperação e solidariedade. Este sonho tornar-se-á realidade assim que os primeiros grupos na Terra tenham começado a reconhecê-lo e a realizá-lo. Refiro-me aqui ao “Plano Global dos Biótopos de Cura”. (Mais informação no meu livro en ingles “Terra Nova. Global Revolution and the Healing of Love” –  Revolução Global e a Cura do Amor”).

A terra violada pode transformar-se num paraíso em pouco tempo, assim que cooperarmos com a natureza e seguirmos a sua lógica de vida. Toda a humanidade poderá ter acesso gratuito a água, energia e alimento, se seguirmos a lógica da natureza ao invés das leis do lucro.

Ao nível humano, precisamos de novas perspectivas para nos libertarmos do medo, do ciúme e da mentira, principalmente no amor, pois actualmente a área de crise mais profunda encontra-se no relacionamento entre as pessoas. Não poderá haver paz na terra enquanto houver guerra no amor. Na época da revolução estudantil, há 50 anos atrás, alcançámos diversos objetivos – mas posteriormente surgiram conflictos dentro dos próprios grupos: conflictos pela ideologia certa, por reconhecimento, por poder e por sexo. Ninguém estava preparado para isso. Ninguém sabia até que ponto a violência exterior do sistema, e o conflicto no mundo interior do ser humano, vinham da mesma fonte.

A visão de um mundo curado não poderá ser obviamente imposta à força ou coercivamente, nem divulgada apenas através dos meios de comunicação humanos e técnicos convencionais; as forças da oposição são ainda demasiado grandes. Mas existem outros sistemas de informação no universo, que assumem controlo do nosso trabalho, quando este estiver em coerência com a “Vontade do universo”. Referimos-nos a estes sistemas de informação através do termo da “criação de campos morfogenéticos” (termo que adopto de Rupert Sheldrake e que conscientemente amplio para abranger os temas éticos e sociais da actualidade). Tal implica o seguinte: uma informação que corresponda à ética da vida universal, difunde-se por si própria onde quer que existam pessoas e grupos dispostos a recebê-la. Assim que a nova informação tiver emergido nas primeiras comunidades, inicia-se o grande movimento na esfera de conhecimento da Terra (nooesfera), pois todas as pessoas estão geneticamente ligadas com esta informação. Surge então o código genético para uma nova civilização.

A informação para um futuro no qual valha a pena viver não contém os velhos slogans revolucionários, mas visa uma posição incondicionalmente favorável à vida, uma ligação interior com as leis mais elevadas do mundo mental/espiritual e com a interligação de todos os seres na grande família da vida. Vivemos actualmente numa grande mudança de épocas, de uma era patriarcal para uma cultura da parceria, do holograma da violência para o holograma da confiança. Quanto mais pessoas no mundo inteiro se ligarem com este processo global, mais rapidamente a crueldade desta era de guerra poderá terminar. Tal poderia suceder muito rapidamente.

Em nome do amor por todos os seres.